Deepfakes: A tecnologia capaz de usar vídeos falsos para atos ilícitos

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A tecnologia “deepfake” fez com que as pessoas se tornassem cépticas ou desconfiassem do conteúdo digital que aparece nas redes sociais, o que significa uma mudança na forma como a informação difundida na Internet é atualmente percebida.

As pessoas sabem que nem tudo o que é publicado é verdade, anteriormente um vídeo era considerado um meio para provar um fato, ninguém podia negar que o material audiovisual era real, mas os tempos mudaram, e os especialistas fazem “magia” com produções digitais
baseadas em inteligência artificial.

Os vídeos falsos são capazes de alterar a realidade com a ajuda da inteligência artificial de uma forma quase imperceptível ao sentido da vista ou do ouvido humano, procura sobrepor vozes ou rostos de uma celebridade no corpo de outra pessoa.

Um exemplo relevante deste tipo de técnica se evidenciou em duas cenas do longa-metragem Rogue One: uma história de Star Warsˈ projetada em 2016, neste filme a Princesa Leia, interpretada por Ingvild Deila, adota uma fisionomia diferente, e num instante torna-se na lendária Carrie Fisher.

O pesquisador especialista em segurança informática Luis Lubeck, da marca ESET Latinoamérica, comenta que esta tecnologia “poderia ser vista como a evolução de uma foto alterada, ou seja, são vídeos criados mediante técnicas de inteligência artificial e machine learning (aprendizagem de máquinas). Usa material real de uma pessoa como fotografias ou vídeos para criar um audiovisual falso onde alguém poderia aparecer dizendo algo totalmente inventado”.

Deepfake, ferramenta para fraude

Os Deepfakes penetraram o mundo da política, também são usados como uma ferramenta de vingança, para enganar os outros, manipular informações ou chantagear os adversários. Os vídeos falsificados aparentam situações que não ocorrem na realidade, plasmam eventos
fictícios e vozes simuladas.

Um exemplo de fraude usando deepfakes acontece quando em uma situação enganosa alguém se faz passar por proprietário de uma empresa e solicitar transferir um valor elevado com urgência a um terceiro. Os produtores de deepfakes também podem extorquir ameaças de
personalidades importantes ou proprietários de grandes empresas usando vídeos falsos que podem prejudicar sua reputação.

A jornalista independente da Índia, Rana Ayyub, fez denúncias públicas por sofrer de abuso de poder e bullying extremo com comentários sexistas, ameaças de morte e seu rosto apareceu em vídeos pornográficos adulterados. Esta tecnologia preocupa porque pode ser empregada para
prejudicar a imagem e silenciar aqueles que criticam algumas decisões políticas. Muitas outras mulheres famosas foram vítimas de vídeos criados para fins pornográficos.

Há um exército de trolls informáticos por trás da Internet que usam esse conhecimento para enganar, difamar ou prejudicar, isto pode agravar-se à medida que a tecnologia se torna mais acessível, avança e se desenvolve.

Exemplos de deepfakes

No ambiente mediático surgiram deepfakes que causaram alarma como o vídeo do ator Jordan Peele, no qual imita a voz de Barack Obama para alertar a audiência sobre o alcance dos vídeos falsificados. Marck Zuckerberg, proprietário da rede social Facebook aparece em um vídeo falso com suplantação de voz declarando que a conhecida rede social controla o futuro utilizando dados roubados aos usuários, naturalmente o vídeo foi desmentido de imediato, pois se tratava de uma palestra sobre a interferência russa nas eleições.

Este tipo de manipulação digital também se estendeu à política, as criações audiovisuais procuram prejudicar a imagem de políticos e destruir de forma notável a sua reputação. A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, apareceu embriagada num vídeo falso.

Em pouco tempo o vídeo registrou milhões de visualizações, finalmente se constatou que se utilizou a técnica de abrandamento de um vídeo para que a senadora aparecesse falando com dificuldade, com o propósito de dar maior realismo a seu suposto estado de embriaguez.