Mark Zuckerberg e Sundar Pichai estavam envolvidos em conspiração de anúncios, alega processo judicial

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Na sexta-feira, uma coalizão de procuradores-gerais estaduais liderada pelo procurador-geral do Texas, Ken Paxton, divulgou uma nova queixa antitruste (PDF) contra o Google, dando mais detalhes sobre o suposto conluio da empresa com o Facebook em mercados de anúncios programáticos. O arquivamento foi relatado pela primeira vez por Político.

Apresentada pela primeira vez em novembro, a denúncia inicial (PDF) alegou amplo conluio entre as duas empresas, particularmente em um projeto colaborativo codinome “Jedi Blue” que viu as empresas se unirem para limitar as práticas de licitação de cabeçalho.

Com base em e-mails internos, a reclamação de sexta-feira mostra que o acordo Jedi Blue foi revisado nos níveis mais altos de ambas as empresas, com envolvimento pessoal de Sundar Pichai, Sheryl Sandberg e Mark Zuckerberg. Em um e-mail para Zuckerberg, Sandberg disse ao CEO que “isso é um grande negócio estrategicamente”. Notavelmente, o arquivamento se refere a Zuckerberg e Sandberg por seus cargos, mas edita seu nome.

As implicações legais das alegações ainda são contestadas, e a distinção entre práticas comerciais normais e comportamento anticompetitivo será muito debatida no tribunal. Ainda assim, os procuradores-gerais do estado conseguiram desenterrar vários momentos em que os dois gigantes da publicidade parecem estar se estabelecendo em um duopólio colaborativo.

Em uma passagem particularmente desconfortável, a reclamação cita um e-mail de 2015 no qual “funcionários do Google expressaram medo de que a exchange do Google possa ‘realmente ter que competir’ com outras exchanges em algum momento no futuro.

Grande parte do caso se baseia nas concessões que o Google supostamente fez ao Facebook após o acordo Jedi Blue, incluindo taxas mais baixas e limites de tempo limite mais longos em lances de troca. Uma parte não editada da reclamação afirma que as concessões deram ao Facebook uma clara vantagem em ganhar leilões.

Um estudo do Facebook em 2019 descobriu que os lances do Facebook para impressões no aplicativo venceram com mais frequência nos leilões do Google do que em qualquer outra plataforma. Ao mesmo tempo, o preço médio pago pelo Facebook por impressão no aplicativo foi menor nos leilões do Google do que em qualquer outra plataforma. Isso seria um resultado intrigante, para dizer o mínimo, se o Facebook enfrentasse a mesma competição por inventário entre as casas de leilões.

O caso ocorre em meio a uma série de ações antitruste contra o Google, incluindo casos antitruste paralelos com foco em manipulação de pesquisa e sua gestão da Google Play Store. Mas a reclamação liderada pelo Texas é sem dúvida a mais importante para a empresa, concentrando-se nas redes de anúncios programáticos que há muito fornecem a maior parte da receita da empresa.

O Google não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, mas descreveu a reclamação como "cheia de imprecisões e sem mérito legal" em uma declaração para Político.

Fonte: The Verge