Parte vaca, parte … bactéria? Empresa de biotecnologia faz novilha de erro na edição de genes

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Prolongar / Um bezerro holandês, que não foi editado por genes.

Uma empresa de edição de genes com sede em Minnesota fica com o rosto vermelho depois de ter adotado a genética de touros – e ter sido atacada.

A empresa, Recombinetics, estabeleceu anos atrás para projetar geneticamente o gado leiteiro da raça Holandesa, sem seus chifres problemáticos, que os agricultores normalmente removem para manter a si e a outras vacas em segurança. Em 2015, a empresa parecia ter conseguido, apresentando dois touros sem chifres, Spotigy e Buri. A Recombinetics os considerou uma história de sucesso genuína e 100% bovina.

Embora Spotigy tenha sido sacrificado para pesquisa, Buri viveu para gerar 17 filhos—Um dos quais enfeitou a capa da Wired, como observa a MIT Technology Review. E, até poucos meses atrás, o Brasil estava pronto para criar um rebanho de Holsteins sem chifres de remessas de esperma de Buri, informou a Wired.

Mas os planos foram contrariados depois que cientistas da Food and Drug Administration tropeçou em um achado absolutamente condenador no início deste ano– Buri não é só um touro: ele é uma bactéria pequenina.

Edições de alta

Quando a Recombinetics editou as células de vaca que mais tarde originariam Buri, a empresa o fez usando máquinas de edição de DNA bacterianas – que inadvertidamente foram costuradas no genoma de Buri.

As máquinas envolvidas são chamadas TALENs (nucleases efetoras do tipo ativador de transcrição), que são enzimas que podem ser personalizadas para cortar um ponto alvo em um código genético. Essa quebra no código pode ser corrigida com uma sequência de DNA desejada – digamos, um trecho de DNA que leva à falta de chifre, roubado de outras raças de gado sem chifre.

Os cientistas da Recombinetics usaram um método padrão para levar os TALENs às células da vaca – eles entregaram os TALENs por meio de um loop de DNA bacteriano chamado plasmídeo. Normalmente, depois que os TALENs codificados por plasmídeo cortam o corte, o trabalho do plasmídeo é concluído e ele não permanece por aí. Mas, no caso de Buri, todo o plasmídeo acabou se inserindo no genoma do touro, ao lado do trecho de DNA inserido para a ausência de chifres.

Isso significa que o genoma de Buri contém toda a sequência de DNA do plasmídeo. Além de todo o mecanismo de edição bacteriana do loop do DNA, o genoma de Buri também inclui os genes de resistência a antibióticos presentes no plasmídeo – embora seja improvável que tenham algum efeito.

Ponto cego

A inserção do plasmídeo é um grande golpe de vaca. Mas o fato de a empresa não encontrar o problema em si é talvez mais embaraçoso.

"Não era algo esperado, e não o procuramos", disse Tad Sonstegard, CEO da Acceligen, uma subsidiária da Recombinetics que possui os animais, à MIT Technology Review. Ele acrescentou que uma verificação mais completa "deveria ter sido feita".

Os cientistas da FDA que encontraram o problema concordaram. No relatório deles no caso, eles observaram que sua descoberta "destaca um ponto cego em potencial nos métodos padrão de rastreamento de edição de genoma".

Por mais embaraçoso que seja, é improvável que a inserção genética afete as vacas ou qualquer pessoa que possa acabar comê-las. Como Sonstegard colocou, eles são "seguros para comer com ou sem o plasmídeo".

Mas a inclusão de DNA bacteriano no genoma de uma vaca torna os aspectos regulatórios de Buri e seus filhos muito mais complicados – praticamente insustentáveis. Eles não são apenas vacas editadas, todas vacas – são organismos geneticamente modificados com DNA de um ramo da vida completamente diferente.

Alguns dos animais já foram incinerados e os reguladores no Brasil rejeitaram os planos que envolvem os animais.

Enquanto isso, a recombinação não está refletindo sobre o erro. Ele já avançou com carne bovina, editada por genes e tolerante ao calor. A empresa observou que não encontrou nenhum gene bacteriano nesses animais.

Fonte: Ars Technica