PF aponta envolvimento de Faraj e Filippelli em esquema de ministério

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Conversas entre o secretário-geral do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Noberto Martins, e um funcionário do Ministério do Trabalho citam a deputada distrital Sandra Faraj (PR) e do ex-governador do Distrito Federal Tadeu Filippelli (MDB) em esquemas de corrupção no Ministério do Trabalho. Os diálogos estão presentes no inquérito da Operação Registro Espúrio, deflagrada, na quarta-feira (30/5), pela Polícia Federal (PF).

Durante as investigações, a PF identificou a existência de uma organização criminosa na Pasta. Funcionários seriam indicados por parlamentares ligados ao PTB e ao partido Solidariedade – antiga legenda de Faraj – para, por meio de pagamento de propina, liberar o registros de sindicatos que representam algumas entidades de trabalhadores.

Em maio de 2017, os nomes dos políticos do DF são citados em troca de mensagens entre Noberto Martins e Renato Araújo Júnior, então chefe de gabinete da Secretaria de Relações do Trabalho do ministério. Depois disso, Renato chegou a ser promovido a coordenador-geral de registro sindical, cargo que exerceu até esta semana, quando foi dispensado após à operação ser deflagrada.

Em 9 de maio, mensagens mostram o secretário-geral do PTB dando uma ordem ao chefe de gabinete Renato. Segundo ele, o funcionário deveria informar a Carlos Lacerda, então secretário de Relações do Trabalho, a necessidade de liberar o registro do Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviços e Especializadas em Bombeiro Civil do Distrito Federal (Sepebc-DF). “Se trata de um pedido de Roberto Jefferson (presidente do PTB)”, completa.

Depois, Renato afirma que irá providenciar a liberação, mas que Filippelli pediu para vê-la antes da publicação de forma oficial. Noberto Martins dá permissão para que o emedebista veja o documento e avisa que também falará com Sandra, segundo a PF, trata-se da deputada Sandra Faraj.

As conversas seguem por mais três dias. No entanto, o secretário Carlos Lacerda sai de Brasília antes de assinar a regulamentação do Sepebc-DF. Indignado, o secretário-geral do Partido Trabalhista Brasileiro manda que Leonardo Cabral Dias, à época coordenador-geral de registro, assine o documento, e faz uma ameaça: “se ele não assinar, o Roberto {Jefferson} vai pedir a cabeça dele”.

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Depois da ameaça, segundo a PF, o registro do Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviços e Especializadas em Bombeiro Civil do Distrito Federal, que estava suspenso, é novamente liberado. A autorização é publicada no Diário Oficial da União, no dia 15 de 2017.

“O registro sindical em questão foi restabelecido para atender a interesses de Sandra – que acreditamos se tratar da deputada distrital Sandra Faraj – e Nelson Tadeu Filippelli, que utilizaram a ingerência de Roberto Jefferson e Norberto na Secretaria Regional do Trabalho para operacionalizar o direcionamento do processo”, afirma a Polícia Federal no inquérito.

Veja o diálogo de comemoração entre Noberto Martins e o funcionário do ministério do trabalho após a liberação do sindicato brasiliense:

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Para a Polícia Federal, as conversas deixam claro que a liberação do registro sindical só aconteceu por interferência do PTB e dos políticos do Distrito Federal. Veja abaixo a conclusão da PF no inquérito:

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O outro lado
Procurado, o vice-presidente do Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviços e Especializadas em Bombeiro Civil do Distrito Federal, Aldo Magalhães, afirmou que a entidade foi criada em 2009, quando se instituiu a profissão de bombeiro civil, e regulamentado no ano de 2015. De acordo com ele, em 2016, o registro do Sepebc-DF foi suspenso por “perseguição de outros sindicatos que antes representavam a classe”.

“Eu procurei vários parlamentares sim, estávamos desesperados, procurando ajuda, mas eu duvido que tenha havido influência política. Eu acho que não falei com a Sandra Faraj, o Filippelli eu estive com ele umas duas vezes”, completou. Apesar das investigações da PF não trazer, até aqui, o pagamento de propina aos políticos por parte do sindicato, o presidente rechaçou a possibilidade.

De forma alguma teve repasse financeiro. Nós somos uma entidade pequena, mal temos dinheiro para nos manter. Não houve nenhum tipo de corrupção

Aldo Magalhães, presidente do Sepebc-DF

Já Alexandre Queiroz, advogado do ex-vice-governador Tadeu Filippelli, disse que eles não foram informados sobre a investigação da PF e por isso não havia o que dizer sobre as denúncias. Por meio de sua assessoria de comunicação, a deputada distrital Sandra Faraj afirmou que não irá comentar o caso.

Sobre a possível interferência do secretário-geral do PTB, Noberto Martins, e do presidente Roberto Jeffersons nas liberações dos registros de sindicatos, o partido mandou a seguinte nota: “A Direção afirma que jamais participou de quaisquer negociações espúrias no Ministério do Trabalho e declara que, se for comprovado na Justiça o envolvimento de petebistas no referido esquema investigado pela Polícia Federal, os culpados, se houver, devem assumir suas responsabilidades perante a sociedade”.

O Ministério do Trabalho divulgou, no dia 1° de junho, uma nota informando que abriu uma sindicância administrativa para apurar responsabilidades e punir os envolvidos nas irregularidades, mediante a aplicação das penalidades cabíveis.

“Os servidores envolvidos nas investigações foram dispensados dos cargos de confiança que ocupavam na Pasta. O Ministério do Trabalho reitera seu compromisso com a legalidade, com a moralidade e com a ética, que devem permear as ações da Administração Pública, e informa que colaborará de forma irrestrita com as investigações. Aguardamos, dentro do tempo próprio da Justiça, que os fatos arrolados na investigação sejam devidamente”, completou a pasta.

O Metrópoles tenta contato com as defesas de Renato Araújo, Carlos Cavalcante Lacerda e Leonardo Cabral Dias. Os três, além de terem sido demitidos do Ministério do Trabalho, tiveram a prisão preventiva decretada na última quarta-feira (30).

 

Fonte: Metrópoles

Autor: Larissa Rodrigues

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